guerra nuclear e pornografia

No dia 13 de janeiro de 2018 a Agência de Gestão de Emergências do Havaí, muito imprudentemente, cometeu um erro, e disparou um alerta nuclear por toda a região do Oceano Pacífico sob jurisdição americana.

O contexto político de troca de ameaças entre os líderes americano e norte-coreano nos últimos meses tem se tornado de fato um pouco mais tenso, de modos que não seria completamente inverossímil a deflagração de um ataque nuclear da parte dos orientais, de quem já ouvimos, por exemplo, que a guerra estava declarada.

Entretanto, o alerta havia sido emitido graças ao erro de um funcionário da Agência. Precisamente 38 minutos depois, o governo desmentiu a notícia, e os cidadãos do Havaí puderam retomar suas rotinas.

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os esquimós, seus nomes & espíritos

“- De onde é que toda esta neve nos vem?

– A neve, meus pequenos, é o sangue dos mortos.

– E o trovão? Alguém fica sempre a indagar, de si para si, em torno do que é a causa do trovão.

– São os espíritos, que esfregam seus corpos revestidos de couro; os espíritos costumam esfregar-se uns nos outros, quando discutem. Em geral, são espíritos famintos.

– E o relâmpago?

– Ocorre quando os espíritos discutem e batem na lâmpada e a apagam. Essa é a razão pela qual o relâmpago e o trovão aparecem juntos.

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o deus fisiológico

O traje era mesmo um tanto quente, como havia comentado minha amiga.

“Não são lá muito tropicais na vestimenta”, foi o que ela me disse. “Os ritos são eslavos. O deus não é tão tradicionalista quanto parece, mas eles preferem manter as aparências do que se adaptar ao clima daqui”.

Fazia calor. A luz vinha das velas e de quatro tochas colocadas nas paredes. Mesmo em sendo lenta a música, e ainda mais lento o cântico, eu transpirava.

Dizia-se que naquele momento do ritual todos costumavam transpirar.

Lúcia, minha amiga, já se tinha infiltrado na seita há algum tempo. Graduou-se nos mistérios e havia galgado algumas posições la dentro. Éramos bons amigos, mas em se tratando de ocultismo sempre fui somente um diletante. A curiosidade me levou até ali, e me aceitaram entre os novatos. Fiquei satisfeito em participar do ritual com o papel que me cabia: um observador ou um coadjuvante que não faria falta e nem poderia comprometer os trabalhos da noite.

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continuum

 

Isto aconteceu hoje.

Fui almoçar no centro da cidade, no restaurante que há de frente para a matriz. E fui junto de um amigo, ou devo dizer um grande amigo, a quem muitos chamam Perdido, devido ao excesso de aventuras que possui no currículo.

Após a refeição, retornamos à casa de meu amigo, e caminhamos pela praça. Ao passarmos por debaixo de uma grande paineira que há por lá, Perdido sente que é hora de me confessar algo:

– Bicho, meu maior medo é estar passando por debaixo de uma árvore velha dessas, e acontecer de cair um galho na minha cabeça, um galho grande, um tronco, cair a árvore, imagina só!

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(des)controle de pragas

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Inspirado em uma história real

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Há um problema de inutilidade geral. Tudo é supérfluo.

Até os deuses.

O Sr. Gomes está naqueles dias em que tudo o que precisamos é de uma voz do outro lado da linha.

O telefone toca:

– Alô.

– Bom dia, senhor.

– Quem fala?

– Aqui é da G7 Elite Dedetizações, gostaríamos, por gentileza, de falar com o proprietário do imóvel.

– Estão falando com ele.

– Sr. Gomes?

– Pois não?

– Aqui quem fala é Talita, da G7 Elite Dedetizações, e gostaríamos de aproveitar a ocasião para oferecer o nosso serviço de dedetização. Somos responsáveis por todo o bairro e temos um plano especial de combate preventivo de pragas.

– Combate de pragas? Tenho problema nenhum com bicho aqui, não, moça.

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à sombra do riso

O movimentado Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, às quatro horas da tarde num dia quente de outubro. Não há qualquer descrição que possa acrescentar algo à memória dos que já transitaram por aquele lugar. O fluxo contínuo de gente apressada, e gente de tantos tipos, é algo comum às cenas da metrópole.

Outra coisa convém de naquela hora, no entanto, interromper a rotina do terminal. Um grande círculo se forma ao redor de uma pessoa caída ao chão que ri desesperadamente. Fenômeno mais grave que uma convulsão ou que um ataque de epilepsia, pois que tais reações indicam um método correto de intervir e solucionar o problema, o ataque de gargalhadas deixa a multidão atônita.

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as crianças que não amavam os museus

Uma sinistra sequência de crimes vem tirando o sono dos detetives de São Paulo. Na última semana dois artistas plásticos foram encontrados mortos ao lado de suas obras no Museu de Arte de São Paulo (MASP), com cortes profundos de faca no abdômen e no pescoço. A comunidade artística em todo o país está chocada. No mês anterior uma artista finlandesa havia sido brutalmente molestada por aquilo que pareceu ser uma horda de crianças descontentes com o conteúdo político da sua performance, que estava programada para acontecer durante as tardes dos dias 16, 17 e 18, no Museu de Arte Moderna (MAM). Ao lado do espaço separado para o evento, picharam com letras garrafais vermelhas: Isto não é Arte & Isto não é um Museu.

As autoridades ainda estão encontrando dificuldades para traçar o perfil dos assassinos e agressores. De acordo com o delegado Sérgio Paiva, trata-se de uma gangue muitíssimo bem organizada de crianças. As câmeras captaram a movimentação dos elementos minutos antes da execução das vítimas. Os membros estão todos na faixa dos 7 aos 14 anos, o que já seria o bastante para enquadrar os mandantes na categoria dos pré-adolescentes. São provenientes de famílias abastadas, de classe média-alta. O comportamento parece ter sido o mesmo em todos os crimes: são capazes de se reunir e dispersar com extrema habilidade, fazendo uso dos dispositivos portáteis e demais aplicativos de comunicação, agem sempre em grupo e atacam com armas brancas depois de bulinarem sexualmente suas vítimas.

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