a ficção pré-histórica

Entendemos como ficção uma narrativa sem pretensões de verdade.

Por mais problemática que seja a palavra verdade, todas as outras derivações e consequências daquilo que entendemos como ficção são secundárias diante deste pressuposto.

O número de personagens, o conteúdo dramático, o suporte ou mídia para o qual foi feita, quando, onde, e por quem tenha sido escrita ou contada, nada disso importa para o uso do termo ficção. Basta que seja uma história sabidamente inventada por alguém – quantos tenham sido tampouco é determinante para o emprego do vocábulo.

Imaginamos que, antes de depararem-se com a importância de saberem falsas ou verdadeiras suas narrativas, os povos do passado, ao redor de suas fogueiras, já tinham se acostumado a contá-las e a ouvi-las nos momentos certos.

Isso antes de serem cantadas pelos bardos, individualizadas e colocadas no papel, postas em circulação, antes de serem organizadas em bibliotecas e tudo o mais, quando ainda eram gestadas sob a inspiração de entorpecentes ou de entidades sobrenaturais – a partir do momento em que são destinadas ao público, tudo isso é de interesse para a divisão que será feita, quando postos em circulação no mundo moderno. A disposição dos textos ao gosto.

Continuar lendo

Anúncios

o problema da literatura contemporânea segundo um velho sábio persa

“[…] o discurso que ouvira, em minha mocidade, quando de minha primeira estada na Pérsia, num dia em que assistia a uma reunião de intelectuais, na qual se discutia sobre a cultura contemporânea.

Entre os que mais falaram nesse dia, estava um velho intelectual persa – intelectual, não na acepção europeia da palavra, mas no sentido que se lhe dá no continente da Ásia, isto é, não somente pelo saber mas pelo ser. Era, aliás, muito instruído e possuía um profundo conhecimento da cultura europeia.

Disse, entre outras coisas:

‘É muito lamentável que o período atual de cultura – que denominamos e será denominado pelas futuras gerações civilização europeia – seja intermédio, por assim dizer, na evolução da humanidade; em outros tempos, que seja um abismo, um período de ausência no processo geral de aperfeiçoamento humano, uma vez que os representantes dessa civilização são incapazes de transmitir a seus descendentes, como herança, qualquer coisa de válido para o desenvolvimento da inteligência, esse motor essencial a todo aperfeiçoamento.

Assim, um dos meios principais de desenvolvimento da inteligência é a literatura.

Continuar lendo