(des)controle de pragas

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Inspirado em uma história real

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Há um problema de inutilidade geral. Tudo é supérfluo.

Até os deuses.

O Sr. Gomes está naqueles dias em que tudo o que precisamos é de uma voz do outro lado da linha.

O telefone toca:

– Alô.

– Bom dia, senhor.

– Quem fala?

– Aqui é da G7 Elite Dedetizações, gostaríamos, por gentileza, de falar com o proprietário do imóvel.

– Estão falando com ele.

– Sr. Gomes?

– Pois não?

– Aqui quem fala é Talita, da G7 Elite Dedetizações, e gostaríamos de aproveitar a ocasião para oferecer o nosso serviço de dedetização. Somos responsáveis por todo o bairro e temos um plano especial de combate preventivo de pragas.

– Combate de pragas? Tenho problema nenhum com bicho aqui, não, moça.

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à sombra do riso

O movimentado Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, às quatro horas da tarde num dia quente de outubro. Não há qualquer descrição que possa acrescentar algo à memória dos que já transitaram por aquele lugar. O fluxo contínuo de gente apressada, e gente de tantos tipos, é algo comum às cenas da metrópole.

Outra coisa convém de naquela hora, no entanto, interromper a rotina do terminal. Um grande círculo se forma ao redor de uma pessoa caída ao chão que ri desesperadamente. Fenômeno mais grave que uma convulsão ou que um ataque de epilepsia, pois que tais reações indicam um método correto de intervir e solucionar o problema, o ataque de gargalhadas deixa a multidão atônita.

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as crianças que não amavam os museus

Uma sinistra sequência de crimes vem tirando o sono dos detetives de São Paulo. Na última semana dois artistas plásticos foram encontrados mortos ao lado de suas obras no Museu de Arte de São Paulo (MASP), com cortes profundos de faca no abdômen e no pescoço. A comunidade artística em todo o país está chocada. No mês anterior uma artista finlandesa havia sido brutalmente molestada por aquilo que pareceu ser uma horda de crianças descontentes com o conteúdo político da sua performance, que estava programada para acontecer durante as tardes dos dias 16, 17 e 18, no Museu de Arte Moderna (MAM). Ao lado do espaço separado para o evento, picharam com letras garrafais vermelhas: Isto não é Arte & Isto não é um Museu.

As autoridades ainda estão encontrando dificuldades para traçar o perfil dos assassinos e agressores. De acordo com o delegado Sérgio Paiva, trata-se de uma gangue muitíssimo bem organizada de crianças. As câmeras captaram a movimentação dos elementos minutos antes da execução das vítimas. Os membros estão todos na faixa dos 7 aos 14 anos, o que já seria o bastante para enquadrar os mandantes na categoria dos pré-adolescentes. São provenientes de famílias abastadas, de classe média-alta. O comportamento parece ter sido o mesmo em todos os crimes: são capazes de se reunir e dispersar com extrema habilidade, fazendo uso dos dispositivos portáteis e demais aplicativos de comunicação, agem sempre em grupo e atacam com armas brancas depois de bulinarem sexualmente suas vítimas.

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