a voz que vem das mãos

understandingdeafMED

“A língua deve ser introduzida e adquirida o mais cedo possível, senão seu desenvolvimento pode ser permanentemente retardado e prejudicado, com todos os problemas ligados à capacidade de ‘proposicionar’ mencionados por Hughlings-Jackson. No caso dos profundamente surdos, isso só pode ser feito por meio da língua de sinais. Portanto, a surdez deve ser diagnosticada o mais cedo possível. As crianças surdas precisam ser postas em contato primeiro com pessoas fluentes na língua de sinais, sejam seus pais, professores ou outros. Assim que a comunicação por sinais for apreendida – e ela pode ser fluente aos três anos de idade -, tudo então pode decorrer: livre intercurso de pensamento, livre fluxo de informações, aprendizado da leitura e escrita e, talvez, da fala. Não há indícios de que o uso de uma língua de sinais iniba a aquisição da fala. De fato, provavelmente ocorre o inverso.

Os surdos, sempre e em toda parte, foram vistos como ‘deficientes’ ou ‘inferiores’? Terão sempre sido alvo, deverão sempre ser alvo de discriminação e isolamento? É possível imaginar sua situação de outro modo? Que bom seria se houvesse um mundo onde ser surdo não importasse e no qual todos os surdos pudessem desfrutar uma total satisfação e integração! Um mundo no qual eles nem mesmo fossem vistos como ‘deficientes’ ou ‘surdos’.

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o caso da lacraia no ambiente de trabalho

king of bugs

A origem da ideia

Aconteceu em 2008, na cidade de São Paulo, em uma agência de publicidade cujo nome, por motivos legais, não citaremos.

O caso é que um dos diretores da companhia, e também chefe do R.H, o Sr. P., era um legítimo colecionador de técnicas motivacionais – alguém que aparentou sempre ser bem resolvido quanto a isso. Pensava que tinha em seu quadro de funcionários uma boa amostragem para a condução de certas experiências psicossociais que julgava, com certa credulidade, serem exitosas. Acreditava, não sem ter razão, que um bom ambiente de trabalho era garantia de alta produtividade. Não hesitava, portanto, em dirigir esforços para atividades pretensamente pedagógicas, exercícios lúdicos, e, afim de criar vínculos afetivos entre os empregados, semeava subrepticiamente boatos insólitos a respeito de suas próprias vidas pessoais, o que o levou a aumentar a frequência com que inquiria os membros da equipe ao longo das pequenas conversas travadas na copa, momento em que costumam recorrer ao indispensável cafezinho. A energia empregada pelo Sr. P. era o bastante para que os seus superiores começassem a considerá-lo um caso grave de dedicação em excesso – como brevemente anotaram em sua ficha. Caso não tão raro de se acontecer em qualquer lugar do Brasil, quanto mais em São Paulo, mas bem raro num setor de R.H de uma empresa de publicidade.

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A Larica de Outros Tempos

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Excertos de uma memória apresentada pelo Dr. Rodrigues Dória ao Segundo Congresso Científico Pan-Americano, reunido em Washington D.C, a 27 de dezembro de 1915, intitulada Os fumadores de maconha: efeitos e males do vício:

“O uso do cânhamo é muito antigo. Heródoto fala da embriaguez dos citas que respiravam e bebiam a decocção dos grãos verdes do cânhamo. No livro de Botânica do dr. J. M. Caminhoá, que foi professor desta matéria na Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, lê-se que o famoso ‘remédio das mulheres’ de Dióspolis, bem como o nepente de que fala Homero, e que Helena recebera de Polimnésio, era a Cannabis indica. Os cruzados viram os efeitos nos muçulmanos. Marco Polo observou nas cortes orientais entre emires e os sultões. É muito usado no vale do Tigre e Eufrates, nas Índias, na Pérsia, no Turquestão, na Ásia Menor, no Egito e em todo o litoral africano. Com cânhamo se prepara o haxixe, como já foi dito, e ainda pouco conhecido na sua manipulação; o povo do Oriente fuma o pó das folhas e flores no narguilé.”

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