Odisseias

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“Quando em 1934 atravessei sozinho o deserto de Iguidi, tendo por única companhia um casal de borboletas, ocorreu-me a aventura mais surpreendente que pode acontecer a um homem vivo ou morto, e procurarei resumir em três linhas. Foi o caso que um dia despertei transformado em mulher e, nessa qualidade, fui pouco depois recrutado para o harém do sultão de Marrocos, onde servi como pude durante um ano e 14 dias. (Minha experiência nesse setor só deve interessar a mim mesmo, e manda o recato que eu me abstenha de entrar em maiores detalhes sobre o assunto, a menos que a isso me obrigue a minha consciência na hora derradeira).

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Em Negativo

casamento

“Houve um tempo em que deixei crescer a barba, tinha tanta vergonha de ser branco que procurava escurecer-me de qualquer jeito – foi muito antes da guerra. Usava luvas também, a pretexto de frio: e eu sentia mesmo um frio por dentro, só de pensar que me haviam feito branco. O cabelo, esse sempre me ajudou bastante, aos 15 anos já era carapinha, não fosse minha mãe quem era e eu nem sei o que teria pensado: ou então eram as raízes dele que conheciam o meu sentimento e foram muito além do que fui: de qualquer forma um mistério.

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