das atribuições psiconáuticas

O que é a psiconáutica?

É a habilidade de experimentar com os estados da consciência. Por “estados da consciência” compreendo algo diferente das nossas disposições físicas, como a aptidão e o cansaço, ou anímicas, como a histeria e a tristeza. Refiro-me às diversas capacidades perceptivas, sensoriais, de intuição, raciocínio e expressão deflagradas e liberadas pela digestão química de certas substâncias que as estimulam.

A psiconáutica não depende, contudo, destas substâncias. Digamos que a capacidade natural para sonhar, e o nosso interesse de refletir, interpretar, e investigar as camadas do sonho são, é claro, um tipo de psiconáutica, uma vez que envolvem a navegação pela psiquê – como assim sugere a própria etimologia do termo.

O objeto da psiconáutica, portanto, é aquele conjunto de atribuições conferidas à entidade mente-alma (psiquê). Ou, como dissemos anteriormente, a consciência. Se a metáfora apresentada na definição etimológica do termo envolve algum tipo de navegação, então é justamente na movimentação das ondas que devemos pensar quando chegar a hora de tentar elaborar alguma imagem da consciência. Se a psiconáutica envolve uma disposição para experimentar com os estados da consciência, isso nada mais é do que a vontade de explorar os infinitos mares que se abrem ao seu alcance.

Continuar lendo

Em Sonhos


island_traditional_art_moebius_cities_french_artist_1366x768_25532

Sonhei com um mosteiro. Era também um internato. As coisas existiam em seus menores detalhes, como se fossem ilusões de uma outra vida simultânea a essa (e é exatamente isso que são). Eu, e mais alguns de quem não lembro o rosto, éramos estudantes, e perambulávamos pelos corredores do mosteiro. Mas os sonhos brincam com o tempo, e naquilo que foram poucas horas de sono, pude sonhar com semanas e meses. Experimentei o dia-a-dia e a rotina daquele lugar. Dormi e acordei dentro do próprio sonho, e estava calor na cama do mosteiro – lembro-me de que o suor escorria e encharcava os lençóis do pequeno quarto que eu tinha naquele sonho.

Haviam outros personagens. Por exemplo os professores, que humilhavam os alunos. Um impulso me faz desafiá-los.

O mosteiro é enorme, construído pela mais caprichosa das alvenarias. Num grande salão chegavam as escadarias que davam para as alas. Pareço estar muito satisfeito, muito feliz por estar ali, desfrutando de tudo.

De repente acordo deste sonho, mas ainda estou sonhando. É como se fosse um sonho dentro do outro. Tenho consciência de que o que vivi naquele mosteiro foi apenas um sonho, mas ainda estou sonhando sem sabê-lo. Não acordei de fato. De qualquer forma, neste outro sonho, o mosteiro persiste, mas agora estou do lado de fora dele. Quero voltar para lá. Estou triste porque sei que o que vivi ali foi apenas um sonho. Converso com os outros, que também parecem ter experimentado a mesma coisa, tendo sido aquele lugar um sonho ou não, e pergunto como estão as coisas. Em dado momento estou dentro do mosteiro, com minhas malas, escolhendo qual vai ser meu novo quarto, em que ala vou morar.

E então acordo de novo, só que dessa vez de verdade, porque tenho a necessidade de ir ao banheiro. Volto a dormir em pouco tempo, porque estou cansado. Eis que sonho com o mosteiro de novo. Uma cidade cresceu em volta dele, com praças e prédios. Há uma fila para a entrada do mosteiro. Vai acontecer uma festa. É uma festa à fantasia, e eu estou na fila. Verifico meus bolsos e percebo que esqueci os convites. Então acordo.