apocalipse e milenarismo

A cristandade (…) passou por uma série de revoluções e em cada uma delas o cristianismo morreu. Morreu muitas vezes e tornou a ressuscitar, pois tinha um Deus que sabia como sair da tumba.

G. K. Chesterton – O Homem Eterno

Quanta novidade há na constatação de que os tempos são extremos? Qualquer teólogo diria: “nenhuma”, e acrescentaria que os tempos já têm andado extremos há muito tempo, sabendo soar nem um pouco alvissareiro nesta também óbvia anunciação.

A verborragia do presente, autorizada pela tecnologia e pelo conhecimento técnico, quer vaticinar um apocalipse por dia. Se retomarmos o sentido etimológico original, do grego, em que apokálypsis é precisamente uma revelação, a visão, parcial ou total, de algum tipo de conhecimento sobre os destinos dos povos e dos reis, sobre o porvir – um porvir cheio de tormentos, mas cujo final seria a redenção, a vitória do Bem sobre o Mal -, então as diferenças com os vaticínios diários que brotam dos nossos mananciais de informação poderia ser encontrada apenas no grau de mistério, os de hoje muito mais vulgares, óbvios e satisfatórios que os de outrora. E, guardadas as devidas proporções, é assim que encontramos o Apocalipse de São João, no Livro das Revelações, o único texto profético do Novo Testamento, misterioso, praticamente insondável.

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