O Pior Momento da História da Televisão Brasileira

hqdefault Esqueça os domingos tediosos da banheira do Gugu. Esqueça os testes de fidelidade e a risada do João Kléber. Esqueça os exames de DNA do Ratinho. Esqueça o episódio do Edifício Joelma no Linha Direta. Esqueça os barracos nos programas de auditório em que as famílias vão resolver suas diferenças. Esqueça o Esquenta. Esqueça o Big Brother. Esqueça as piadas sem graça do Marco Luque. Esqueça o close nas bundas das panicats. Esqueça o novo programa do Adnet. Esqueça a MTV. Esqueça o show de calouros do Raul Gil. Esqueça o E.T e o Rodolfo acordando as celebridades. Esqueça a Ana Maria Braga. Esqueça a Dança dos Famosos.

O pior momento da televisão brasileira foi protagonizado por ninguém menos que a rainha dos baixinhos, a Sra. Xuxa Meneghel, em 1989, acompanhada por um grupo de varões e crianças indígenas. No ar o programa Xou da Xuxa. A duração da catástrofe é o tempo que ela levou para cantar um de seus sucessos na época: a canção “Vamos Brincar de Índio”. O presente dado pelo Maurício Sherman ao público brasileiro é portador de um cinismo tão atroz que a maioria das pessoas fica simplesmente embasbacada e incrédula ao testemunhar esse registro. Ao término da tortura é quase impossível alguém deixar de se perguntar: “quem teve essa maldita ideia?”.

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Vaticínios

RWS_Tarot_05_Hierophant – Há boatos bem convincentes que dizem que as últimas palavras do rei Mitradates II, do Império Arsácida, foram: “Os tigres já estão alimentados?”.

– Até 2020, cientistas japoneses prometem ter dominado a engenharia genética a ponto de conseguirem produzir em laboratório um cão que emite sinal de wi-fi. A rede não deverá ter senha.

– Brodowski, terra de Portinari, no início do século XX, era bem mais perigosa do que qualquer cidadezinha do velho Oeste americano.

– Polvos representam 11% dos animais abduzidos por alienígenas.

– A atividade da usina hidrelétrica Três Gargantas, construída na China, retardou a rotação da Terra.

– Cientistas da Universidade da Califórnia suspeitam que alguns odores sejam capazes de viajar através do espaço-tempo.

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Precisamos falar sobre abdução

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Precisamos falar sobre abdução. O assunto impõe-se com urgência na pauta do dia. Conversaremos sobre isso durante o almoço, durante as refeições. Os filhos indagarão os pais. Os irmãos desconfiarão de seus irmãos. Os maridos irão se separar de suas mulheres, e as mulheres terão dúvidas a respeito de seus maridos. E por todo lugar reinará a discórdia. Os amantes, tendo mentido uns para os outros, na tentativa de ocultarem seus segredos, deverão expiar os seus pecados e erros e mentiras, e deverão falar sobre abdução, pois somente neste assunto e por meio dele o homem alcançará ser absolvido, e perdoado. Os inimigos políticos deverão deixar de lado suas diferenças, e, sentados à mesma mesa, discutirão a respeito da abdução, e da aparição de luzes estranhas, e dos sequestros noturnos, e dos sonhos em que somos visitados por seres de outra procedência, e do formato dos discos voadores, sua circunferência e diâmetro. Deverão pela manhã, os políticos, juntos de outros sete assistentes, elaborar propostas para os seus rebanhos, deixando-os livres até a tarde de sábado, quando tornar-se-á pública a discussão sobre abdução, e dela poderão então participar os seus rebanhos. E os anciões deliberarão as diretrizes principais do debate, e cada participante terá um minuto para a pergunta, três para a resposta, dois para a réplica, e mais dois para a tréplica. E o povo será conclamado a comparecer às ruas, para que satisfaça o seu furor. Ao fim do equinócio, estará todo o povo absolvido. E isto é o que me foi dito.

Arte e Ciência

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O ‘Demoiselle’ e a ‘Ceia’

“A verdade é que quando a gente vê a locomotiva “Baronesa” ou o avião “Demoiselle” de Santos Dumont (produções recentíssimas da ciência aplicada) tem vontade de rir. São objetos ridículos. A ternura que nos possam infundir vem de pensarmos que homens já confiaram (como Santos Dumont) suas vidas a uma coisa tão precária. Além disto, só há ridículo quando comparamos o “Demoiselle” a um “Constellation”.

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Estamos por aí

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Estamos Por Aí

– Pois saiba que esse é meu direito. É minha opinião.

Mas será que é tua mesmo?

– Bandido bom…

– Não! Nem precisa terminar! Bandido bom… eu nem quero saber!

– Deixa ele terminar, porra, e se rolasse um plottwist no meio da frase?

Não preciso terminar porque vocês já sabem, mas fingem que não querem saber.

– Por que eu iria fingir ter uma opinião que não tenho?

Eu faço isso o tempo todo. Dá licença?

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8 de Março

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Katherine, a rendeira mulher amante

“Nasceu em meados do século quinze, na rua de la Parcheminerie, próxima à rua Saint-Jacques, num inverno em que fez tanto frio que os lobos correram em Paris sobre a neve. Recolheu-a uma velha mulher, de nariz vermelho sob o capuz, que a criou. E de início ela brincou sob os pórticos com Perrenette, Guillemette, Ysabeau e Jehanneton, que usavam pequenas cotas e mergulhavam nas valetas as mãozinhas vermelhas para pegar pedaços de gelo. Também observavam os que lesavam os transeuntes no jogo de tabuleiro chamado Saint-Merry. E, nos alpendres, espiavam as tripas dentro das selhas, e as compridas salsichas balançantes e os enormes ganchos de ferro em que os açougueiros penduram a carne. Nas proximidades de Saint-Benoît le Bétourné¹, onde ficavam os scriptorium, escutavam o ranger das penas, e ao entardecer, pelas frestas dos ateliês, sopravam as candeias na cara dos clérigos. Na Ponte Pequena, escarneciam das peixeiras e escapuliam ligeiro para a praça Maubert, escondiam-se nas esquinas da rua de Trois-Portes; então, sentadas à beira da fonte, tagarelavam até as brumas da noite.

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Na Arena do Templo

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Denuncie-se o exército da fé. Os Gladiadores do Altar me fazem pensar que talvez não haja nenhum inimigo mais admirável e mais justo do que aquele que encontra na fé a motivação para a guerra. No caso, um tipo de monoteísmo muito bem representado pelos seus líderes expansionistas. Gladiadores, do primeiro ao terceiro milênio, são soldados que lutam entre si, dentro de arenas, para a diversão do público. Tendo fé, terão fé em seus líderes? Seguirão ordens?

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