por uma direita esquerda

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A Última e Mais Completa Crítica Social já se encontra disponível para ser compartilhada entre os povos.

A cada Semana uma Crítica mais terminal, uma Análise mais nocauteante que a anterior.

Ninguém se arrepende em esperar. Quem discorda ou concorda, todos saem ganhando.

Ninguém é salvo pelo gongo.

São milhares de acessos por hora.

Os apostadores apostam em quem vai chegar primeiro à Linha de Chegada: se o Modelo Explicativo, ou a Realidade Vivenciada. Os apocalípticos ou o Apocalipse.

Empates são raros.

Pelo bem geral da Nação, proibiremos os cidadãos de possuírem opiniões.

Queremos evitar as disputas por significados.

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Precisamos falar sobre abdução

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Precisamos falar sobre abdução. O assunto impõe-se com urgência na pauta do dia. Conversaremos sobre isso durante o almoço, durante as refeições. Os filhos indagarão os pais. Os irmãos desconfiarão de seus irmãos. Os maridos irão se separar de suas mulheres, e as mulheres terão dúvidas a respeito de seus maridos. E por todo lugar reinará a discórdia. Os amantes, tendo mentido uns para os outros, na tentativa de ocultarem seus segredos, deverão expiar os seus pecados e erros e mentiras, e deverão falar sobre abdução, pois somente neste assunto e por meio dele o homem alcançará ser absolvido, e perdoado. Os inimigos políticos deverão deixar de lado suas diferenças, e, sentados à mesma mesa, discutirão a respeito da abdução, e da aparição de luzes estranhas, e dos sequestros noturnos, e dos sonhos em que somos visitados por seres de outra procedência, e do formato dos discos voadores, sua circunferência e diâmetro. Deverão pela manhã, os políticos, juntos de outros sete assistentes, elaborar propostas para os seus rebanhos, deixando-os livres até a tarde de sábado, quando tornar-se-á pública a discussão sobre abdução, e dela poderão então participar os seus rebanhos. E os anciões deliberarão as diretrizes principais do debate, e cada participante terá um minuto para a pergunta, três para a resposta, dois para a réplica, e mais dois para a tréplica. E o povo será conclamado a comparecer às ruas, para que satisfaça o seu furor. Ao fim do equinócio, estará todo o povo absolvido. E isto é o que me foi dito.

Estamos por aí

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Estamos Por Aí

– Pois saiba que esse é meu direito. É minha opinião.

Mas será que é tua mesmo?

– Bandido bom…

– Não! Nem precisa terminar! Bandido bom… eu nem quero saber!

– Deixa ele terminar, porra, e se rolasse um plottwist no meio da frase?

Não preciso terminar porque vocês já sabem, mas fingem que não querem saber.

– Por que eu iria fingir ter uma opinião que não tenho?

Eu faço isso o tempo todo. Dá licença?

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Espirais Políticas

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É triste, e até mesmo um tanto inevitável, que uma pesquisa pela Internet contendo os caracteres ‘Agosto’ e ‘Rubem Fonseca’ acuse uma quantidade gigantesca de resumos preparatórios para o vestibular, e quase nenhum artigo realmente importante que tenha se dado conta de um valor que, neste livro, vai muito além daquele esperado pelas exigências de uma prova. É quase como se, ao colocarem o romance numa lista obrigatória de vestibular com a bela e nobre justificativa de canonizá-lo ou, o que é mais plausível, de obrigá-lo à leitura da população, todo o seu conteúdo acabasse se limitando a estas mesmas exigências, a ponto de fazer parecer que o livro existe apenas para isso. A verdade é que nada disto importa. Agosto, romance de Rubem Fonseca publicado em 1990, talvez, tornou-se obrigatório porque é, provavelmente, o livro mais famoso dentre aqueles que se dedicaram ao tema da entropia e da paranóia política que de vez em quando, em certas situações bem específicas, aflora na opinião pública brasileira.

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