continuum

Isto aconteceu hoje.

Fui almoçar no centro da cidade, no restaurante que há de frente para a matriz. E fui junto de um amigo, ou devo dizer um grande amigo, a quem muitos chamam Perdido, devido ao excesso de aventuras que possui no currículo.

Após a refeição, retornamos à casa de meu amigo, e caminhamos pela praça. Ao passarmos por debaixo de uma grande paineira que há por lá, Perdido sente que é hora de me confessar algo:

– Bicho, meu maior medo é estar passando por debaixo de uma árvore velha dessas, e acontecer de cair um galho na minha cabeça, um galho grande, um tronco, cair a árvore, imagina só!

– Que horror! – digo ao imaginar a cena.

– Aconteceu isso lá em Mogi, cara!

Devo dizer que meu amigo é proveniente da cidade de Mogi Mirim.

– Tinha um senhor que durante 30 anos vendeu churros no mesmo lugar da praça. Ele já tava bem velho, teve uma tempestade na cidade, ventou muito, e caiu um tronco bem em cima dele, e no carrinho de churros tudo! Matou o cara na hora!

Durante o restante do caminho para a casa de meu amigo, esmiuçamos as possibilidades de um acidente de tal ordem. E então nos despedimos, com a promessa de que nos veremos no fim de semana.

Dirijo da casa do Perdido até a minha, num percurso que não leva mais de dez minutos.

Ao chegar em casa, dou de cara com o meu colega, com quem divido a casa, a quem eu e muitos outros chamam carinhosamente de Zé, uma abreviação vulgar de sua alcunha original: Zé Colmeia, herdada de um tempo em que não era ainda tão sarado e tão atleta.

E por ele sou recebido com sucessivas interjeições:

– Meu amigo, tu não sabe o que acabou de acontecer comigo!

– Conte-me tudo não esconda-me nada. – digo, e me jogo ao sofá tirando o tênis.

– Eu tava agora cedo andando na praça do centro…

– Olha só, acabo de vir de lá! – comentei.

– Porra, cara, eu tava andando por lá, tinha acabado de passar pelas ciganas, e tava andando de frente pra um velho. Eu tava ali no meio, bem no meio, onde ficam as ciganas, sabe?

– Sei, claro.

– Enfim, eu tinha acabado de passar por elas, elas tentaram ler minha mão, me assediaram de todas as formas, mas eu tava indo, eu tava andando, bem de frente pra um velho, ele tava sentado no banco, eu ia indo, e de repente tinha uma palmeira do lado dele, e tava seca, a palmeira, e de repente a palmeira caiu na cabeça do velho, cara! E o velho desmaiou! A palmeira caiu em cima dele, cara, ele tava sentado no banco! As pessoas socorreram, mas teve gente que chegou a rir!

– Por favor! Quanto tempo faz isso?

– Umas duas horas. Foi hoje cedo!

– Porra, não acredito!

Imediatamente envio uma mensagem de voz ao camarada Perdido, contando-lhe a coincidência envolvendo o assunto que havíamos discutido, e o acontecimento testemunhado por nosso outro amigo, Zé Colmeia.

– Oloco, bicho! Tá vendo! Minha fobia tem fundamento!

Sou levado a pensar que não fosse por mim tal coincidência jamais teria existido, posto que não haveria alguém pra confrontar a confissão de Perdido com o relato de Zé Colmeia.

Passamos pela cena do crime e nem nos demos por ela.

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3 comentários sobre “continuum

  1. É mano eu tenho 13 anos e sofro da mesma coisa eu lembro des que eu era criança eu tinha medo de qualquer árvore é muito ruim e so quem te pode saber eu queria entender mas sobre isso mas não encontro nada sobre o assunto conheci essa fobia a pouco tenho so fui pesquisar quando eu foi em um horto muito gigante na quasi m porta do horto eu vi uma árvore gigante gigante mesmo quando vi quasi dismaei foi um paqui muito grande minha mãe teve que me segura ao em tão foi pesquisar ai descobri a tal fobia, mano mas eu não tenho vontade de matar nenhuma árvore eu so não chego perto eu so queria alguém para me ajudar a me curar eu estou planejando ir eu um psicólogo mas falta dinheiro mas com fe em Deus minha mãe vai cosigui um emprego é nois mano obrigado por essa história muito Boa.👍

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