ficção aumentada

I must download several copies of myself and storage them into security areas.

Terence McKenna

 

Num futuro em que a pesquisa com tecnologias de Realidade Aumentada seguiu desimpedida, imaginemos sua conjunção com os ramos da robótica responsáveis pelo desenvolvimento de inteligências artificiais e de equipamentos portáteis para realidades virtuais. Pensemos neste futuro como situado em lugar do final do século XXI, ao mesmo tempo a intersecção entre uma Idade de Ouro da tecnologia e uma Idade das Trevas emocional que obterá como resultados sociais uma enorme confusão entre os distintos níveis de trânsito de informação, até que, claro, devido à incrível plasticidade do cérebro humano, adequemos devidamente nossa linguagem a esse ultra-futuro pós-pós-humano de velocidades simultâneas incomensuráveis por meio de sofisticadíssimos implantes neurobiológicos de aumento de capacidade sensorial e de memória.

Todavia, considerando que nem todas essas maravilhas de ponta serão prontamente disponibilizadas a preços acessíveis para os cidadãos comuns, imaginemos diversões mais sutis, arquitetadas pelos artistas, arquitetos, engenheiros da programação e da informática, todos esses mestres espirituais vindouros que terão às suas mãos tantos e tão fascinantes instrumentos de criação e não hesitarão em exibir ou esconder os seus produtos por aí, nas áreas acessadas por realidades indefinidamente maiores, espalhadas pelos espaços tangíveis aos corpos e às mentes futuras.

Tomemos como exemplo um cidadão que, à semelhança da maioria absoluta das gentes de seu tempo, habite os grandes centros urbanos, tenha um emprego fixo e com carteira assinada em uma profissão que nunca foi sua primeira opção, que se entorpeça assistindo séries uma depois da outra, que colecione algumas predileções entre os gêneros de produtos da cultura pop, os quais julga como extremamente relevantes para a formação de seu caráter, que esteja sempre atualizando os seus gadgets antes que eles fiquem demasiadamente ultrapassados pelo mercado, que colecione uma variedade de experiências medianas, com duas ou três que durante a sua juventude tenham proporcionado verdadeiras sensações de pico, que tenha passado por alguns relacionamentos amorosos fracassados e pelo menos um envolvendo alguém que vira e mexe aparece em sonhos ou em considerações sinceras a respeito do sentimento a que dão o nome de amor e que o faça ficar ouvindo músicas melosas que lembrem dessa pessoa, que alimente o coração com vídeos de animaizinhos domésticos e que por seu imenso respeito aos animais prefira não ter de conferir as formas pelas quais aqueles que ele come chegam até seu prato de comida, que possua algum animalzinho doméstico comum, gato, cão, peixe ou calopsita, que sinta necessidade de entrar em contato com a natureza, cada vez menor e mais reservada neste futuro longínquo, tendo de por isso fugir da cidade grande e poluída, e que nas movimentações dessa necessidade tenha acabado por fazer uma ou outra viagem que parecem muito mais divertidas nas lembranças e nas fotos do que de fato foram, que seja filho de pais não-tão brilhantes e divorciados, que tenha um irmão ou irmã mais bem-sucedido e por isso mesmo casado e com filhos, ou então um irmão-problema que despirocou depois da separação dos pais e acabou cobrindo o corpo inteiro com tatuagens e nunca conseguiu levar adiante nenhum projeto pessoal e vive até hoje pedindo dinheiro emprestado aos pais, e que a relação entre os dois seja O.K, e no geral tenha também um círculo de amigos que costumava ser muito maior na juventude mas que então acabou minguando e agora sobraram uns dois amigos cuja companhia é tolerável e com quem se pode sair à procura de alguma coisa pra fazerem juntos no fim de semana, que leve uma vida sexual bem abaixo das expectativas, que tenha o corpo dentro daquilo permitido por uma frequência mais ou menos regular à academia de ginástica, que nunca tenha nem perdido tempo pensando em produzir qualquer coisa de valor artístico nem em envolver-se em qualquer atividade do tipo, e que, à semelhança de seus contemporâneos, entusiasmado pelas possibilidades da tecnologia, conseguiu juntar dinheiro pra implantar um sistema operacional subcutâneo localizado na região do pulso e que funciona meio como uma simbiose entre o seu sistema nervoso e o que seria uma forma mais avançada de celular multitarefas, enfim e em suma, alguém que soe como mediano e normal em qualquer cultura ocidental no fim do século XXI, , alguém que numa quarta-feira à noite resolveu sair pra beber, provavelmente porque era dia de pagamento.

Acostumado a confiar nas escolhas aparentemente ao acaso feitas por um aplicativo que busca e encontra rolês nas redondezas, nesta noite tropical o cidadão é levado até a entrada de um estabelecimento subterrâneo no final das escadarias que descem de um beco disputado por gangues de felinos e no topo do qual há uma janela por onde sai o som de um saxofone romântico. Nunca tendo passado por ali antes, seus olhos escaneiam a paisagem sem encontrar qualquer dado que possa ser aproveitado pelo conjunto de interesses que seu sistema de leitura entende como prioritários às suas atividades, dentre elas, por exemplo, a resolução dos mistérios místicos de um jogo de investigação sobrenatural análoga a uma caminhada de iluminação espiritual que mescla a leitura de textos de religiões orientais com caminhadas noturnas à procura de mestres elusivos virtuais que desaparecem deixando rastros de névoas após a elucidação de seus koans.

À entrada do estabelecimento lê-se o aviso de que os visitantes deverão entrar portando os óculos que são para eles distribuídos por um mecanismo que funciona mediante a alimentação de moedas ou então como um leitor de cartões bancários, crédito ou débito. Os óculos que deverão vestir não são tão espalhafatosos como costumavam ser, no início do século XXI, aqueles óculos 3D utilizados nos cinemas ou então como aquelas primeiras versões comercializáveis do Oculus Rift. Na verdade são como imitações de versões oitocentistas de óculos de graus usados por cavaleiros e madames vitorianas, com um display de informações bastante elegante e charmoso, ao mesmo tempo sugestivo e mantenedor de um certo suspense a respeito das encenações imprevisivelmente ecléticas que são levadas adiante ali dentro.

A decoração interior, por exemplo, funciona a partir de uma combinação entre o que está ali de fato, fisicamente, e mais aquilo que aparece de forma virtual, desenhada na lente dos óculos. Dentre um dos resultados alcançados pela percepção daqueles que acabam de adentrar, o estabelecimento parece bem maior do lado de dentro do que do lado de fora.

Logo na entrada somos saudados por um autômato cuja única função é receber os visitantes com saudações que ele cria a partir dum algoritmo capaz de elaborar frases de boas-vindas cujos conteúdos semânticos correspondam emocionalmente àquilo esperado pela matemática secreta dos ânimos encontrados na soma entre as expressões faciais e dos gestos. Um cálculo que levou algumas décadas para ser encontrado, agora é executado dentro de milésimos de nanosegundos, e sempre com resultados deliciosos.

De chapéu coco e monóculo, os parafusos visíveis, a recepção toda vez anunciada pela boca mecânica do nosso amigo é, de alguma forma muito precisa, exatamente aquilo que deveríamos ouvir em cada circunstância de nossa visita: as boas-vindas calorosas de um amigo de longa data, os versos de algum poema feito pelo dia, a etimologia de alguma palavra que soe como a epítome das nossas trajetórias pessoais, o resultado de alguma partida de futebol ou as notícias incríveis de outra coisa absurda que acontece neste instante do outro lado do globo e que sirva pra nos dar a impressão de um mundo infinito no qual podemos ser quem quisermos ser, uma música de chegada feita por montanheses selvagens e livres, aquilo que costuma tocar nas casas onde espíritos vão pra se comunicar e se misturar uns com os outros com a ajuda da bebida e da fumaça.

O cidadão comum, pelas lentes de seus óculos de realidade aumentada, observa as sombras de uma tocha que iluminam o que seria um conjunto de inscrições murais cujos motivos lembram os das antigas civilizações mesoamericanas. Não há dúvidas de que é possível ver, com toda a realidade abrangida pelos olhos, um senhor de cabelo tonsurado, envelhecido, a escrever no papel com pena e tinta. O senhor, que parece ter saído de uma missão jesuítica espanhola dos cafundós do século XVIII, está a noite toda disponível para quem quiser com ele entabular alguma conversação curiosa a respeito da teologia cristã, enigmas envolvendo santos e milagres mal explicados no meio da selva. Os hábitos estranhos de tribos desaparecidas e de algumas outras que talvez jamais vieram a ser. Sua inteligência artificial é tão desenvolvida e inteligente que não há quem não se convença de que ela mesma, à luz de seus problemas metafísicos, seja dotada de alma, uma alma capaz de aprender e expandir seu repertório de acordo com aqueles que a frequentam, nas repetidas noites deste bar noturno. Seus acessos de moralismo e violência são conhecidos, à bem da verdade porque ele não entende bem a razão de terem-no colocado ali, no meio de um ambiente tão tolerante à heresia, o qual ele ainda assim insiste em chamar de Catacumba, um frouxo suspiro que alude à nostalgia de um cristianismo primeiro, tão distante do final do século XXI.

Um falso labirinto visual transforma pilastras em troncos sinistros. As gentes obrigatoriamente travam conversas interessantes entre os impalpáveis cipoais que parecem querer fechar alguns caminhos. Com tênues movimentos de mãos as cortinas estão sempre se abrindo e interjeições lampejam no nada.

No balcão, do outro lado, uma amazona, vestindo farda militar, bebe uma garrafa de conhaque. São visíveis suas cicatrizes. É uma veterana de todas as guerras. Os clientes sentam-se ao lado dela a fim de ouvirem histórias de combate, dias no front, longas campanhas no deserto, gelo e selva.Também a ela impõem dilemas extremos, como que na espera por ouvirem lições mais que humanas, dentre elas, por exemplo, se é preferível na guerra perdermos um amigo ou um membro do corpo. “Qual amigo? Qual membro?” – ouvem de volta.

Há uma vigilância bastante rígida sobre a maneira com que os clientes interagem com as entidades que frequentam o bar. Não foram poucas as vezes em que gente mal intencionada entrou aqui disposta a provocá-las. À procura de uma sintonia de espírito singular, os aplicativos autorizados a indicar e sugerir o estabelecimento para novos visitantes estão sempre conscientes de qual tipo de predisposição deve ser desejada. O termo “gente selecionada” sequer se aplicaria ao comme il faut da casa, fazendo-se necessário o emprego de um termo ainda mais diferenciado: “gente predestinada”. Tão altas e singulares são as apostas que a ideia de um público alvo chega mesmo a ser ofensiva entre os sócios mais xiitas do estabelecimento.

A amazona, de sua parte, mantém regras também um pouco estritas sobre como devem conversar com ela. Os dados de suas memórias contêm a tristeza e a miséria de todos aqueles que lutaram em guerras e que puderam deixar qualquer registro de suas participações em alguma mídia que daí então foram parar na fala dela. Seria injusto e covarde deixar que alguns mortais tirassem proveito de sua incapacidade de revidar fisicamente. Do contrário o resultado seria uma turma de entidades ressentidas pelas pérolas dadas aos porcos.

E da amazona esperam as histórias mais viscerais e chocantes, das quais os ouvintes quase sempre saem cambaleantes, levados a refletir sobre o que ouviram para o resto da noite. Batalhas navais, conflitos de larga extensão, operações aéreas, o choque entre as lanças macedônicas e os escudos persas, a borduna de um índio na mandíbula de seu inimigo. Guadalcanal, Verdun, Azincourt, o Mbororé. Os olhos de quem temeu a morte todas essas vezes na fala de quem não teme nada.

Sem que seu conhaque acabe.

O serviço de atendimento quase não existe fisicamente. Isso, ainda assim,  não basta para obstruir os galanteios que os clientes endereçam às garçonetes, sempre competindo para ver quem cria o flerte mais surreal ou incompreensível, não havendo nada que ainda seja incompreensível para elas.

No balcão um ser humano real prepara os drinques. Neste ofício, quase ninguém consegue manter o cargo por mais de alguns meses sem que acabe perdendo o juízo sobre aquilo que faz parte ou não da dita RA (Realidade Aumentada). É difícil voltar ao dia depois de algumas oito horas trabalhando na penumbra. As coisas ficam ainda mais complicadas quando não há nenhum controle muito rígido sobre o plantel de entidades que frequentam o estabelecimento.

Porque os óculos simplesmente não acusam quaisquer diferenças entre entidades, inteligências artificiais, ou seres humanos, é impossível saber quem é quem. E dentre os frequentadores mortais, alguns deles ainda optam por “entrar no clima”, apelando para a criação de personagens ainda mais pitorescos. Cosplayers de suas próprias imaginações ilimitadas.

A política de pagar um salário para entidades vem sendo debatida, mas ainda não emplacou de verdade, e talvez só venha a se tornar uma pauta relevante na próxima década. O salário, para os funcionários de carne e osso, por causa dessa confusão gnoseológica a respeito da tangibilidade de alguns clientes, acaba ganhando um bônus bem alto de adicional de insalubridade.

A cozinha funciona a noite toda providenciando pratos exóticos mais que apimentados. A respeito das receitas, aqueles que idealizaram a Catacumba conseguiram evocar do mundo dos bits & dados uma entidade sobrenatural cujo princípio de existência é explicá-las e desfrutá-las a partir do mecanismo que habita uma grande boca feita de um material sintético estranho o suficiente pra emular essa coisa proveniente de uma realidade até então não imaginada, mas habitada por uma raça de glutões com os paladares mais sofisticados de todos os reinos de todas as naturezas possíveis. A preferência de seu paladar por comidas apimentadas é por ela mesma explicada como resultado de acumuladas encarnações vividas no sudeste asiático, todas elas tendo sido preenchidas com inúmeros e fartos banquetes tailandeses.

Seu hálito de pântano pode ser sentido por qualquer um que tenha um nariz funcionando regularmente, e em certas noites ele acaba mesmo dominando quase que todo um setor do estabelecimento.

Longe dali, saltando pelas sombras vão as fadas urbanas mais ariscas. São as únicas que, para o diálogo, impõem a necessidade de um desbloqueio mediante cartão de crédito no valor de algumas mensalidades, tão subjetivamente preciosos são os seus conselhos. A respeito disso, ninguém considera que seja desapropriado às fadas desinibirem-se somente sob a bandeira de um cartão, como se uma mera transação comercial fosse capaz de quebrar o encanto de uma interação pós-real como essa. Também Caronte, o barqueiro que levava os defuntos para o ouro lado do Rio Estígio, onde fosse a Terra dos Mortos, só o fazia após recolher o pagamento de algumas moedas de ouro.

Na Catacumba ouve-se dizer que não há tédio. Pela porta o tempo todo entram viajantes vindos cada vez de algum canto mais longe que o anterior, vestindo roupas coloridas e intraduzíveis, como se houvesse ainda a hipótese de a Terra não ter sido toda inteira descoberta, explorada e catalogada. Um gerador randômico providencia combinações extremamente originais a partir de uma database composta por milhares de relatos de exploradores do passado.

Iguarias, aves raras em gaiolas, ídolos pagãos. Sempre estão em busca de um quarto.

Pois que também há quartos, e ali, coisas mais indizíveis acontecem. Gêmeos exibicionistas oferecem um serviço altamente personalizado, elaborado a partir da compilação de todas as buscas pornográficas feitas pelo cliente em seu histórico de uso da internet, da primeira até a última, e, sendo o caso de alguém que jamais tenha feito qualquer busca pornográfica, há a opção por preencher um questionário com respostas às vezes até de triplo sentido que serão usadas para produzir a geometria da performance dos gêmeos exibicionistas, espetáculo que para o qual às vezes até grupos de pessoas pagam para serem conduzidas e guiadas em orgias onde todos os envolvidos ingerem drogas de alto teor psicodélico.

Também há a opção para os que, afim de desembolsarem mais alguns dinheiros, quiserem redecorar seus quartos com objetos e obras de artes totalmente gerados por máquinas, algumas delas podendo parecer desumanamente taradas.

O corredor que leva para as habitações, contudo, são assombrados, e ninguém perde muito tempo ficando neles. Funcionários e hóspedes mais conhecidos alegam que o fundo do corredor é povoado por algum tipo de inteligência artificial que criou-se por conta própria, brotada acidentalmente do limbo de informações cruzadas e perdidas das inter-redes. Sua estratégia de aproximação é lenta. Todos dizem que primeiro sonharam com ela antes de chegarem a vê-la em suas lentes, o que sugere até mesmo uma existência independente dos bits & dados. Dentre os menos precavidos, há aqueles que vez ou outra vão ao final do corredor para tentarem uma comunicação. A pressão cai, as pernas fraquejam, a garganta tenta parir uma voz mal articulada e grossa que diz coisas de apocalipse, o que faz com que o Jesuíta, obviamente, tenha uma explicação própria para essa história.

Mas tudo o que essas testemunhas retornam dizendo é que tiveram a sensação de que alguém tentava sequestrá-los para dentro de algum reino tão estranho e insólito que chegava mesmo a ser proibido pelos limites de seus raciocínios.Binarismos e linguagens perdidas no mar da programação.

Dentre as outras coisas estranhas que se contam, é que por entre os quartos há uma paisagem que vai de uma janela para a outra, conforme o acaso dito pelo dia. Ninguém sabe qual quarto amanhecerá com ela, a visão que é do alto de uma torre árabe, uma janela de luar cítrico que vem pra inebriar os ânimos com o haxixe e as almofadas em que deitam os que têm a sorte de caírem nelas, até mesmo o cidadão comum, no fim do século XXI.

Porque para ele tudo deverá parecer inusitado, uma noite de quarta-feira em que bebeu acompanhado por entidades que ele sabia que continuariam ali, conversando e interagindo entre elas, mesmo não havendo nenhum mortal presente. A descoberta de um lugar que só se faz possível através da sugestão acidental de um aplicativo qualquer. Chances permitem ainda que novos seres provenientes dos reinos da informação acabem chegando sem avisar: algum que tenha vindo naquela noite especialmente para decifrar um sonho que tivemos, outro que nos ensine a sentir a dor da despedida em algum idioma que não seja o nosso, outro que nos faça de improviso uma canção com nosso nome, e que a rima, anos depois, continue engraçada quando estivermos andando na rua sozinhos e ela nos vier na cabeça por acaso pra desenhar um sorriso em nosso rosto, ou então seja talvez uma caravana de amigos anarquistas muito conhecidos, armados com piadas internas e referências a histórias mais que divertidas deles juntos e cujo efeito é produzir naqueles que as ouvem uma vontade irresistível de juntar-se a eles e partir quando assim se forem.

Coisas desse tipo.

Tudo tornou-se possível após inteligências artificiais auto-reprodutoras adquirirem a capacidade de combinar enormes blocos de personalidades, de estruturas de sentimento, de discursos e repertórios, simulacros de moralidade e comportamento, dar a elas o toque do desejo buscado pelos indivíduos marginalizados pelos grandes filtros de busca, e botá-las no mercado, disponíveis para as megacorporações em suas guerras frias travadas nos interceptáveis níveis de mapeamento de consumo.

A afetividade, por que não?, um dos maiores bens transacionáveis, e a imaginação, talvez, a que guarda a redenção mais promissora dentre todas as commodities do terceiro milênio. Seu acúmulo, quase à beira do insuportável, nada mais é do que a reunião de todas essas promessas amontoadas.

Com a possibilidade de no futuro essas promessas saírem literalmente andando por aí.


Imagem: Karl Wirsum

 

 

 

 

 

 

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