Um feriado para os que querem continuar trabalhando

1may

Antes a manifestação tivesse sido confundida com um carnaval. Da próxima vez, professores, tragam mulatas seminuas na frente, que aí os policiais baixarão as escopetas. Um carro alegórico até que não será de mau uso. Adoraria ver uma ala de baianas formadas pelas históricas tiazinhas gordas que habitam as repartições públicas. Todos vestindo vermelho e dourado.

Quesito: pureza ideológica.

Nota: 8.3

O carnavalesco diz que agora é feriado, dia 1 de Maio. Data que remete a uma ação comunista ocorrida há mais de século. Os vermelhos estavam, como durante muito tempo costumaram estar, do lado dos que exigiam. Manifestações respondidas com violência, mortes, greves. Com exceção das mortes, foi o mesmo espetáculo que Beto Richa, século depois, quis dar. Que a posteridade guarde o seu nome, e o daqueles que o apoiam dentro ou fora das fronteiras do Paraná. Mas e o feriado?

Não dá pra disparar balas de borracha num feriado. Só dá pra aproveitá-lo, fazendo brotar em nós aquilo que Eneida Orides chamou de enferiamento da alma. Imagino trupes de homens de terno e gangues de secretárias sentados no colo uns dos outros, assinando acordos evasivos de maneira perfunctória, de olho apenas nas poupanças que se afundam em sofás que cheiram a whisky e prostituição de luxo.

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