o caronavírus

Centro da cidade, mas não lembro bem aonde eu ia. Perambulando no ar, as pendências, as urgências – não, nada disso. Eu ia tranquilo, tranquilo eu ia. Naquela noite, nenhuma novidade. Nenhuma estrela no céu. Ninguém além de mim que fosse e andasse pela calçada. Ninguém atravessando a rua. Ninguém.

O centro da cidade, àquela hora, estranhamente aceso e vazio. Ruas de nomes bem conhecidos. Eu vestia um agasalho velho que herdei de meu avô. Havia frio.

Cada barulho chamava pelo meu nome. Meus passos, enormes intervalos entre eles. Gente conversando do lado de dentro dos restaurantes. Não tinha chovido ainda naquela semana.

Bueiros explodindo.

Até que então notei um carro que vinha vindo pela rua. Íamos, eu e a rua, no mesmo sentido. O carro, era um conversível. Dava pra ver que o carro sorria. Ele vinha sozinho, guiado por nenhum motorista. Devagarzinho, foi chegando perto, e aí eu pude ver melhor que, realmente, ninguém, ninguém dirigia o veículo.

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