o caso da lacraia no ambiente de trabalho

king of bugs

A origem da ideia

Aconteceu em 2008, na cidade de São Paulo, em uma agência de publicidade cujo nome, por motivos legais, não citaremos.

O caso é que um dos diretores da companhia, e também chefe do R.H, o Sr. P., era um legítimo colecionador de técnicas motivacionais – alguém que aparentou sempre ser bem resolvido quanto a isso. Pensava que tinha em seu quadro de funcionários uma boa amostragem para a condução de certas experiências psicossociais que julgava, com certa credulidade, serem exitosas. Acreditava, não sem ter razão, que um bom ambiente de trabalho era garantia de alta produtividade. Não hesitava, portanto, em dirigir esforços para atividades pretensamente pedagógicas, exercícios lúdicos, e, afim de criar vínculos afetivos entre os empregados, semeava subrepticiamente boatos insólitos a respeito de suas próprias vidas pessoais, o que o levou a aumentar a frequência com que inquiria os membros da equipe ao longo das pequenas conversas travadas na copa, momento em que costumam recorrer ao indispensável cafezinho. A energia empregada pelo Sr. P. era o bastante para que os seus superiores começassem a considerá-lo um caso grave de dedicação em excesso – como brevemente anotaram em sua ficha. Caso não tão raro de se acontecer em qualquer lugar do Brasil, quanto mais em São Paulo, mas bem raro num setor de R.H de uma empresa de publicidade.

Por força de sua insistência, certos costumes foram sendo paulatinamente inseridos na rotina de trabalho. A cada mês, por exemplo, os funcionários tinham um dia qualquer para desfrutá-lo de maneira atípica, para quebrar um pouco a formalidade. Certa feita, como tentativa de solucionar um certo problema que um dos funcionários estava tendo de enfrentar, a saber, uma incompatibilidade de horários que o teria obrigado abandonar em casa a filha de 4 anos , o Sr. P. achou que seria boa ideia dar, naquele dia, uma oportunidade para que os outros funcionários que tivessem filhos também os levassem. Quem não possuísse filhos, também, estava livre para levar os sobrinhos, enteados e afilhados.

A partir daquilo que pudemos coletar em nossos relatos, no entanto, a resposta dos funcionários, para esse dia em específico, não nos parece ter sido muito entusiasmada, posto que a maior parte das crianças que compareceu à empresa de telemarketing naquele horário cumpria algum castigo ou estava ali contra a própria vontade.

Outra vez, numa quinta-feira, por volta de fevereiro, ficou decretado que os funcionários fossem trabalhar com roupas menos formais, algo que estivessem acostumados a usar em casa, quando fazem por bem ficarem relaxados. A prática, comum em terras americanas, leva o nome de casual day. Chinelos havaianas, bermudas jeans, shortinhos de academia, camisas com o peito desabotoado, bonés e boinas. Nem os funcionários da limpeza, que são terceirizados, ficaram de fora. A maior parte dos comentários a respeito deste dia, contudo, se referem ao shortinho da funcionária que identificaremos como Srta. A., e a maioria destes comentários, por sua vez, teriam sido obra do próprio Sr. P., que compareceu àquele dia vestindo uma bata indiana. Não foi difícil para o Sr. P. transformar esse dia numa tradição mensal da empresa, que estaria, no próximo mês, entrando em sua oitava edição, não fosse o episódio da lacraia, no qual ainda chegaremos.

Porque é necessário dizer que, à essa altura, alguma desconfiança a respeito dos métodos do Sr. P já começava a se fazer reconhecer em algumas conversas particulares que os funcionários e os conselheiros mantinham entre si. Além dos dias criados especiais, algumas brincadeiras cotidianas também haviam sido agregadas à rotina de trabalho.

Havia um jogo, jogado por quase todos do setor de Atendimento, que consistia na criação de oportunidades para que usassem a palavra business durante alguma conversação. Bastava que não fosse muito brusco, cabia ao participante adequar-se ao contexto. Julgava, o Sr. P., que aquilo poderia acabar sendo até mesmo algum tipo de treinamento cognitivo. Aquele que ao longo do dia tivesse dito a palavra por mais vezes, ganharia meia-hora a mais de almoço no dia seguinte. Quem conseguisse repetir a vitória por três dias consecutivos, conquistando assim o hat-trick, ganharia uma hora a mais de almoço por três dias, estando fora da competição nos dois dias seguintes. N’outro dia foi permitido aos funcionários dos setores de Pesquisa, Criação e Produção ouvirem música, muito embora a playlist tenha sido organizada e unificada inteiramente pelo próprio Sr. P., misturando sucessos de seus artistas preferidos, entre eles Rod Stewart, Tears for Fears e Men at Work.

Os métodos do Sr. P., portanto, não chamavam a atenção por serem exatamente estranhos. A curiosidade era despertada pelo rebuscamento, o que indicava que ele estaria empregando na elaboração dessas estratégias grande parte de seu tempo, profissional e pessoal. É certo que ali na agência algumas tarefas haviam se acumulado um pouco no último semestre, mas conseguiram recuperar a coisa pra colocá-la de volta aos eixos.

Um dos principais elementos da equipe, um senhor de 34 anos que chamaremos de Sr. O., chegou até mesmo a anotar em seu diário de bordo (que já o acompanhava na empresa há doze anos):

ele [o Sr. P.] quanto mais se dedica, menos trabalhamos. e de alguma forma muito grotesca, quanto menos trabalhamos, mais queremos voltar a trabalhar. se trabalhamos mais, ele [Sr. P] trabalha menos.

Os que queriam falar com ele era costume encontrarem-no trancado em sua sala, em sessões cada vez mais longas de solitários brainstorms. Sem temer pelas consequências, ninguém ousou levar adiante nenhuma queixa, e o Sr. P. continuou exercendo o seu emprego como bem achava que devia. Sua vida pessoal, no entanto, tornou-se alvo de interesse dos seus patrões. Continuava, ainda assim, tendo carta branca pra fazer como bem entendesse, afinal, haviam superado as metas do trimestre com relativa folga. Como consequência, talvez por visualizar naquele espaço um número bem grande de possibilidades, a dedicação quase que exclusiva com que o Sr. P. se entregava ao trabalho na empresa não deixava de inculcar, na cabeça de seus patrões, a hipótese de que

a) sua vida pessoal, amorosa e familiar, era um fracasso completo (e não estavam errados);

b) ele tinha propósitos muito claros para si mesmo, mas obscuros para o restante dos seus colegas de trabalho;

c) sua verdadeira identidade era oura, e ele estava a serviço de:

                      1.1 – alguma ONG;

                      1.2 – algum órgão do Governo;

                      1.3 – algum órgão internacional;

                      1.4 – alguma agência do qual pudessem ser secretamente concorrentes.

E concluíram, num clima de paranoia latente, que, quando o principal psicólogo, aquele que deveria ser o encarregado em promover políticas de planejamento horizontal, progressões de carreira, feedbacks e desafios, quixotescamente   começa a apresentar o comportamento mais imprevisível e suspeito dentre os outros, chances de amotinamento e coups d’etat acabam navegando os ânimos daquela parte da tripulação que mais tem a perder com isso.

O Sr. O. anotou em seu caderno:

temos aqui o nosso Ahab, mas onde estará a Moby Dick?

Os que observavam o Sr. P. sabiam que a única criatura com que costumava se relacionar fora do ambiente da empresa, como vieram a descobrir, era o seu cão de estimação, um Shih tzu que levava a alcunha de Raí, e pelo qual o Sr. P. era (também) um tanto obcecado – de maneira diferente, é claro. Encontramos, por exemplo, entre os seus pertences, a fatura de uma estadia que ele teria pago para o seu cãozinho.

Então era até mesmo inevitável, e quase uma consequência lógica, que ele viesse a instituir um dia em que os funcionários fossem obrigados a levar para a empresa os seus animaizinhos de estimação, quem os tivesse. Ficou acordado que numa sexta-feira pouco movimentada de Setembro, os setores de Planejamento, Pesquisa, Mídia, e Criação, participariam do pet day, estando, com isso, autorizados a levar para trabalhar com eles os seus cãezinhos, peixes, calopsitas, e houve até um que achou por bem levar o seu camaleão doméstico. Não acharam errôneo vetar a presença de gatos, que poderiam acabar comendo tanto o peixe como a calopsita e o camaleão, e de cães maiores e mais bravos que pudessem se envolver em contendas territorialistas. A tirania do R.H. era tamanha que, antes de cada evento, os próprios funcionários decidiam, entre eles, quais participariam e quais ficariam de fora, não sendo a participação obrigatória, e chegaram até mesmo a montar um esquema de rodízio bastante eficiente.

A reconstituição do crime

O Sr. P. quis acreditar que os seus colegas de trabalho prezariam pelo bom senso. Sabia que se tratava de uma manobra mais ou menos ousada, mas não imaginava que levando adiante essa ideia pudesse por a perder todo o crédito que juntara com seus superiores, a ponto de ser, pouco depois, demovido de sua função. Os funcionários, ao receberem o memorando, reagiram com cautela. Devido a um histórico de reclamações despropositadas, algo que na empresa remontava a períodos bem anteriores à gestão do Sr. P., qualquer reclamação ou queixa era logo ignorada. A verdade é que os publicitários da agência não tinham mais a quem recorrer. Sabiam que contra os formulários, pesquisas de opinião, os vídeos motivacionais, testes de personalidade e dinâmicas de grupo, o socorro não viria de lugar nenhum. O Sr. O., dispensado pelos seus colegas da obrigação de levar ao pet day o seu casal de dobermans, o Himmler e o Hitler, anotou em seu diário:

ele [o Sr. P.] é insano, surdo, e violentamente curioso. somos cobaias de suas experiências

Assim sendo, a Srta. A. levou para a empresa, naquela sexta-feira, o seu cão Poodle 2, Mr. Pepper, vestido com um agasalho azul de lã. A Srta. do peixe achou por bem depositar em sua escrivaninha o pequeno aquário redondo em que vivia o seu peixe Beta, um belo espécime azul-escuro. O Sr. da calopsita topetuda deixou a sua calopsita de estimação empoleirada na própria poltrona, e, quando questionado a respeito do comportamento do animal, que soltava gargalhadas a todo momento, os tranquilizou com a alegação de que era uma calopsita adestrada, e que não havia risco nenhum em deixá-la ali, e, mais de uma vez, deixou claro que deveriam se referir a ela pelo nome, que era Manchúria.  O pequeno camaleão do Sr. do camaleão passeava entre o teclado e o mouse de seu computador, despertando nos outros colegas reações e sentimentos afetivos que até então desconheciam, mas devido a um cuidado excessivo por parte de seu proprietário, que, como viemos a saber, desembolsou todo o seu 13º salário para adquirir o animal (chamado Bóris), ninguém estava autorizado a acariciá-lo. Compareceram também um chihuahua chamado Platão, dono de um comportamento notadamente melancólico, um tanto diferente dos chihuahua tradicionais que costumam ser bem barulhentos em seus latidos, e um bassê filhote que a proprietária não tirava do colo, além, é claro, do infame Raí, o Shih Tzu, que foi o primeiro a chegar, junto com seu dono, o Sr. P.

Nada teria acontecido, e aquele dia teria sido um dia normal como todos os outros, não fosse um funcionário que teve a brilhante ideia de levar consigo aquele que é provavelmente o bicho mais asqueroso de todo reino animal, uma lacraia, gigante e saudável, chamada Elvira. Os indícios levam a crer que o proprietário da lacraia, tanto por ter se mantido em silêncio quando leu o memorando que o informava sobre o tal do pet day, quanto por ter conservado um certo segredo a respeito do seu animal de estimação, que ele tenha adquirido aquela lacraia na mesma semana através de um biólogo carioc especializado em quilópodes, que também o alertou a respeito das presas venenosas do bicho e dos riscos que elas representavam. Mas o Sr. da lacraia (cujo nome omitiremos até o final) já parecia saber de tudo isso.

Devia ou parecia saber, inclusive, da fobia que a Srta. do Bassê nutria por artrópodes, mais especificamente aqueles que tivessem mais de quatro pares de pernas, mais especificamente ainda, quilópodes e diplópodes – taturanas, centopeias, piolhos-de-cobra e, obviamente, o pior de todos, a lacraia.

Com a ajuda de um recipiente de vidro o elemento pôde transportar a lacraia Elvira de sua casa até a agência, onde todos já se encontravam quando chegou. Há de se especular que, até mesmo essa sua demora em chegar tenha sido calculada afim de aumentar o efeito da surpresa, que não foi pequeno. A Srta. do Bassê, de início, alegou que seria impossível compartilhar a mesma sala, a não ser que cobrissem o aquário da lacraia com algum pano ou toalha, pois que somente a visão da besta-fera já era o bastante pra lhe causar desconforto e aflição, fazendo com que ela se recolhesse na cadeira abraçando os próprios braços.

O filhote de bassê seguia na companhia do Shih Tzu e do Mr. Pepper, que conduziam naquele instante um intenso ritual de farejamento anal. O pequeno bassê, ainda em seus primeiros dias, explorava com curiosidade as rodas das poltronas. O chihuahua melancólico não demorou em encontrar o canto mais sombrio de todos os gabinetes, e recolheu-se nele. A calopsita assobiava para cada pessoa que passava por ela.

Uma discussão se iniciou entre o da Lacraia e a do Bassê, a respeito da presença angustiante que o inseto estava a representar para o ambiente todo. A Srta. A., dona de Mr. Pepper, tomou partido da Srta. do Bassê, chegando até mesmo a acusar o da Lacraia de ser “insensível” e dono de “um mau gosto terrível”. O da Lacraia, ofendido, retrucou, e obteve, em seu apoio, a intervenção do da Calopsita, que alegou estar tudo dentro do que havia sido acordado, e que se a do Bassê tinha restrições, deveria ter dito antes, e que se estava agora incomodada, ela é quem devia se retirar, uma vez que sua reação soava ofensiva tanto para a lacraia Elvira quanto para o seu dono.

O Sr. P., tendo retornado de uma ida ao banheiro que durara muito mais que o esperado, já encontrou o circo montado quando chegou. O burburinho chamou a atenção, e não demorou muito, quando estavam todos com a atenção desviada para a discussão que o da Lacraia e a do Bassê travavam, a Elvira conseguiu escapulir de sua prisão e desapareceu entre as escrivaninhas do gabinete.

O alvoroço deu lugar a uma correria desenfreada de gente e bicho. Sem qualquer aptidão ou coragem para empreenderem uma captura conjunta da lacraia, grande parte dos funcionários simplesmente debandou, evacuando o ambiente, chegando, até mesmo, a abandonarem ali os seus animais de estimação, que ficaram todos à mercê da lacraia rampante.

Enviaram um emissário para buscar ajuda, mas quando a força tarefa chegou já era tarde. A Elvira e o filhote de bassê travavam uma luta justa no chão, mas o pequeno cãozinho parecia avariado. A Srta. do Bassê, ao ver aquilo, teve um colapso nervoso e perdeu a fala. Os funcionários não demoraram muito em concordar que deviam enviar outro emissário na busca de mais ajuda, e um estagiário resolveu telefonar para os bombeiros. Mudou de ideia depois que a faxineira, num golpe dado com o rodo, partiu a lacraia ao meio e esmagou sua cabeça. O dono ajoelhou diante dos restos do animal morto e proferiu algumas palavras de despedida antes de retirar-se e pedir para ser dispensado do trabalho naquele dia, tendo sido atendido por seu superior.

Com a ajuda de calmantes a Srta. do Bassê conseguiu se recuperar ainda no hospital, algumas horas depois, sem saber que o seu cãozinho falecera. O filhote não conseguiu sobreviver às picadas que levou do inseto e tombou pouco após o combate. Teria recebido a notícia ao chegar em casa, e não sabemos ao certo como reagiu. Após o episódio, que chegou ao fim ainda pela manhã, o restante do dia na agência, com exceção de algumas evacuações caninas no carpete do corredor, certas esvoaçadas dadas pela calopsita em direção à cortina, e momentos em que um uivo profundamente desolado e triste foi ouvido saindo da sombra dos gabinetes, tudo transcorreu sem grandes ocorrências.

A motivação para o crime

Não foram necessárias muitas sessões de interrogatório para que o Sr. da Lacraia assumisse que sua intenção havia realmente sido a de sabotar o evento, mirando atingir, com isso, o Sr. P., chefe do R. H, e responsável pelas cada vez maiores quebras de rotina. Se a Srta. do Bassê sabia, e resolvera participar do esquema voluntariamente, só pudemos descobrir depois, também no caso de uma confissão por parte do mandante. De fato, a lacraia havia sido adquirida com um biólogo carioca, recomendado pelo Sr. do Camaleão. A informação acabava indicando ainda a presença deste terceiro elemento. Quando perguntado a respeito da reação da Srta. do Bassê, o da Lacraia afirmou que tudo havia sido um “teatrinho muito bem encenado”. Especulamos que o sucesso da atuação se deva a algumas aulas de teatro que a Srta. do Bassê teria feito ainda em sua juventude.

O que também acabamos por descobrir é que o filhote de bassê era uma doação que a Srta. A., dona do Mr. Pepper, havia conseguido com sua irmã – indicando assim a participação de um quarto e um quinto elementos, o que já chegava a constituir um complô. O Sr. O., em seu diário de bordo, não mencionou nada semelhante a um complô contra o Sr. P., e também não foi citado no depoimento do da Lacraia e nem da do Bassê.

O que temos especulado, na verdade, e um tanto dolorosamente, é que a morte do cãozinho, diante das circunstâncias, poderia muito bem ser classificada como um sacrifício. Sangue inocente teve de ser derramado para que o plano funcionasse, para que a lacraia pudesse ser compreendida por todos como uma ameaça – para que o constrangimento fosse geral. Com isso, demonstrariam para os diretores que as ideias do Sr. P., e do pessoal do R. H., já haviam se tornado insustentáveis, fracassadas, e que exigências deveriam ser tomadas.

Colocamo-nos à consideração de que:

a) o filhote de Bassê era uma isca para a lacraia;

b) todos os animais, com exceção do Shih Tzu do Sr. P., de Platão, o chihuahua melancólico, e do poodle Mr. Pepper da Srta. A., eram iscas para a lacraia, e isso inclui o camaleão, a calopsita, e o peixe, portanto, a participação de mais três indivíduos no crime.

Mas as provas indicam apenas que a opção a é verdadeira, porque todos esses animais, com exceção do peixe, por mais ou menos exóticos que sejam, já eram de seus donos há algum tempo, e gostamos de pensar que eles seriam emocionalmente incapazes de os oferecerem em sacrifícios político-corporativos, ainda mais em os oferecerem às terríveis e ferozes presas de uma lacraia. Mesmo que isso custasse o emprego do Sr. P.

O Sr. P. encontrou emprego pouco depois em uma agência especializada em testes vocacionais. Todos os funcionários que levaram animais naquele dia foram agraciados com bonificações secretas por parte da Direção (que ficou sabendo da história toda), e ninguém resolveu prestar nenhuma queixa a respeito da morte do bassê. Os animais, tanto a calopsita, como o camaleão o peixe, continuaram vivendo com seus respectivos donos, e encontram-se vivos até hoje, exceto o peixe, que foi comido pelo gato da vizinha duas semanas após aquilo.

Leonardo Stockler


Imagem: Kazuya Akimoto

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